Muito Feliz Por Ter V♥cês AQUI!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Crianças

 O Dia das Crianças está chegando!
É sempre uma data especial.
Resolvi postar um discurso do Presidente Packer que acho lindo! Nos faz lembrar que as crianças chegam a esta terra trazendo esperança, colorido, alegria! Que precisam de nossa proteção e cuidados...que têm direito ao amor, respeito e direção...
Que possamos estar preparados para receber, proteger, ensinar e amar seres tão especiais...que trazem os olhos ainda tão brilhantes, tal qual estrelas...recém-chegados de junto do Nosso Amado, Bondoso, Cuidadoso Pai Celestial!


"Existem na nossa crença e existem nos nossos ensinamentos conselhos, mandamentos, e inclusive admoestações de que devemos proteger, amar, cuidar e "ensinar [os filhos] a andarem nos caminhos da verdade".

Há muitos anos, em Cuzco, no alto da Cordilheira dos Andes, no Peru, o Élder A. Theodore Tuttle e eu realizamos uma reunião sacramental numa sala longa e bem estreita, com uma porta que dava para a rua. Era noite e fazia muito frio.
Enquanto o Élder Tuttle falava, um menino, de talvez seis anos de idade, apareceu na porta. Ele usava apenas uma camisa rota que ia até o joelho.
À nossa esquerda, havia uma mesinha com um prato de pães para o sacramento. Esse menino de rua órfão viu o pão, e arrastou-se vagarosamente pelo canto da parede em sua direção. Estava quase na mesa quando uma mulher sentada numa das fileiras o viu. Com um movimento brusco da cabeça, ela o expulsou. Senti-me frustrado.
Mais tarde, o menino voltou. Arrastou-se lentamente pelo canto da parede, olhando para o pão e depois para mim. Estava perto do lugar onde a mulher o veria novamente. Estendi os braços abertos e ele veio correndo. Coloquei-o no colo.
Então, como num gesto simbólico, coloquei-o na cadeira do Presidente Tuttle. Após a oração de encerramento, para minha grande tristeza, o menino evadiu na escuridão da noite.
Ao voltar para casa, contei ao Presidente Spencer W. Kimball sobre ele. Ficou sensibilizado e falou sobre isso num discurso de conferência. Ele contou esse fato para as pessoas e disse-me mais de uma vez: "Essa experiência tem um significado muito maior do que você imagina".
Jamais esqueci aquele órfão de rua. Muitas vezes, na América do Sul, procurei por ele no rosto das pessoas. Quando me lembro dele, lembro-me de outras crianças como ele.
Depois da Segunda Guerra Mundial, numa noite fria, em uma estação de trem no sul do Japão, ouvi alguém bater na janela do trem. Lá estava um menino usando a mesma camisa rota, um trapo amarrado em volta do queixo inchado, a cabeça coberta de escaras. Ele segurava uma lata velha e uma colher, o símbolo de um mendigo órfão. Ao tentar abrir a porta para dar-lhe dinheiro, o trem partiu. Nunca esquecerei daquele garoto faminto, naquele frio, segurando sua lata vazia.
Havia um menino, de aproximadamente sete anos, internado em um hospital de uma escola pública para índios. Ele estava com febre e coriza. Abri um embrulho que sua mãe trouxera da reserva, a quilômetros de distância dali. Amarrados numa caixa de papelão, com um adesivo que certamente conseguira no posto de trocas, estavam alguns pães fritos (guloseimas típicas dos índios Navajo), e alguns pedaços de carne de carneiro — um presente de Natal para o filho.
Vi recentemente, numa reportagem de televisão, uma fila de refugiados, longa e bem familiar. Com eles, como de costume, havia crianças carregando crianças. Uma delas estava sentada em cima de um pacote carregado pela mãe. À medida que andavam silenciosa e vagarosamente, ela olhava para a câmera. Aquele rostinho negro, miúdo e grave, e aqueles grandes olhos negros pareciam perguntar: Por quê?
As crianças reúnem em si o passado, o presente e o futuro. Elas são muito preciosas. Toda vez que nasce uma criança, o mundo se renova em inocência.
Penso constantemente nas crianças e jovens e nos seus pais e oro por eles.
Recentemente, assistimos a uma reunião sacramental apresentada por crianças com necessidades especiais. Cada uma delas tinha algum tipo de deficiência, fosse de audição, de visão ou deficiência mental. Ao lado de cada uma delas havia um adolescente responsável por acompanhá-las. Elas cantaram e tocaram música para nós. À nossa frente, na primeira fileira, havia uma menina que fazia sinais para os que estavam atrás de nós que não podiam ouvir.
Jenny prestou um breve testemunho. Depois, seus pais falaram. Falaram da agonia profunda que tiveram ao saber que sua filha jamais teria uma vida normal. Falaram sobre as dificuldades intermináveis do cotidiano, que se seguiram ao seu crescimento. Contaram que, se alguém ria ou reparava muito em Jenny, seus irmãos colocavam o braço ao redor dela, protegendo-a. A mãe então falou do amor e da enorme alegria que Jenny trazia para a família.
Aqueles pais aprenderam que "após muita tribulação (. . .) vem a bênção". (D&C 103:12) Percebi que se uniram mais diante da adversidade e refinaram-se como puro ouro — tornando-se verdadeiros santos dos últimos dias.
Eles disseram-nos que Jenny costuma adotar alguns pais. Assim, quando apertei sua mão, disse-lhe: "Sou o vovô".
Ela olhou para cima e disse: "É, eu já sabia!"
Nada existe nas escrituras, nada existe nas nossas publicações, nada existe em nossa crença ou ensinamentos que permita ou autorize os pais ou qualquer outra pessoa negligenciar, abusar ou molestar os próprios filhos ou os de outras pessoas.
Existem nas escrituras, existem nas nossas publicações, existem na nossa crença e existem nos nossos ensinamentos conselhos, mandamentos, e inclusive admoestações de que devemos proteger, amar, cuidar e "ensinar [os filhos] a andarem nos caminhos da verdade". (Mosias 4:15)

Não se deve ignorar ou negligenciar as crianças. Não se deve, em hipótese alguma, abusar delas ou molestá-las. As crianças não devem ser abandonadas ou colocadas de lado por causa do divórcio. Os pais são responsáveis por sustentá-las.
O Senhor disse: "Todos os filhos têm o direito de receber de seus pais o seu sustento até alcançarem a maioridade". (D&C 83:4)
(...)
Nada se compara ao pai que é responsável e que, dessa forma, ensina os filhos com responsabilidade.
Nada se compara à mãe que está presente para confortá-los e dar-lhes segurança. Amor, proteção e carinho são de inestimável valor.
O Senhor disse: "Eu, porém, ordenei que criásseis vossos filhos em luz e verdade". (D&C 93:40)
Com muita freqüência, um dos pais é deixado sozinho para criar os filhos. O Senhor tem Sua maneira de fortalecer aquele pai ou mãe a fim de que cumpra, sozinho, com as responsabilidades que seriam dos dois pais. Constitui-se um erro gravíssimo de qualquer um dos pais, abandonar deliberadamente os filhos.
Ao longo dos anos, tentei descobrir o que o Presidente Kimball queria dizer quando me lembrava daquele menino de rua órfão de Cuzco, e repetia: "Aquela experiência tem um significado muito maior do que você imagina". Um dia ele acrescentou: "Você colocou o futuro de uma nação em seu colo".
Agora, no ano do meu 78º aniversário, entendo o que o Presidente Kimball estava vendo; sei o que ele queria dizer. Aquele menino de Cuzco e o do Japão e as outras crianças ao redor do mundo influenciam profundamente meus pensamentos, meus sentimentos e minhas orações mais fervorosas. Penso constantemente nas crianças e nos seus pais que lutam para criá-los numa época cada vez mais perigosa.




Pres. Boyd K. Packer

Nenhum comentário:

Postar um comentário