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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Lembrar, Arrepender-se e Mudar


Julie B. Beck
Primeira Conselheira na Presidência Geral das Moças

"O caminho mais fácil e rápido para a felicidade e a paz é arrepender-nos e mudar, assim que pudermos."
Sinto-me grata por nosso Salvador e pelo convite feito a todos nós de “vir a Cristo e ser aperfeiçoados Nele”.1 Espero poder transmitir-lhes o que tenho pensado e sentido sobre lembrar-nos Dele, arrepender-nos e mudar. Acho que a melhor maneira de expressar o que sinto é contar-lhes a história de três mulheres e, em seguida, abordar algumas lições que aprendi com o que aconteceu com elas.
Começarei com Ruth May Fox, que foi presidente geral das Moças há muitos anos. Ela serviu nesse chamado até os 84 anos de idade. A irmã Fox nasceu na Inglaterra e, aos 13 anos, trilhou a pé quase todo o caminho até o Vale do Lago Salgado com um grupo de pioneiros. A mãe morreu quando ela era bebê, por isso, durante os primeiros doze anos de sua vida ela morou com várias famílias diferentes. Ela deve ter sido uma criança difícil porque a avó a chamava de “garota ruim” e recusou-se a cuidar dela.2
Por fim, Ruth casou-se e teve 12 filhos. Ela compartilhou seu firme testemunho com os filhos e ensinou-lhes as lições do evangelho enquanto trabalhava com eles, mas admitiu que os filhos mais velhos foram severamente disciplinados, às vezes, porque ela se zangava facilmente e nem sempre “contava até dez”3 quando era provocada. Ela esforçou-se arduamente para dominar essa fraqueza e ficou conhecida por seu coração bondoso e pelo serviço ao próximo.
A irmã Fox viveu até os 104 anos de idade. Em sua longa vida, teve grandes alegrias e provações difíceis, e ensinou que “a vida traz algumas lições duras. As plantas mais fortes não crescem numa redoma, e a força de caráter não se desenvolve fugindo-se dos problemas”.4

No ano passado, subi o monte Independence Rock, em Wyoming, para ver onde a irmã Fox tinha entalhado seu nome, aos 13 anos, quando estava a caminho do Vale do Lago Salgado. A inscrição estava quase apagada pelo tempo, após 140 anos, mas consegui ler: “Ruth May 1867”. Eu quis saber mais a respeito daquela grande líder e discípula de Jesus Cristo que trabalhou a vida toda para aperfeiçoar-se e cujo lema era “o Reino de Deus ou nada!”.5
Minha próxima história é sobre uma mulher que chamarei de Mary. Ela era filha de pioneiros fiéis que se sacrificaram muito pelo evangelho. Casou-se no templo e teve 10 filhos. Era uma mulher talentosa que ensinou os filhos a orar, a trabalhar arduamente e a amarem-se uns aos outros. Ela pagava o dízimo, e a família inteira ia de carroção às reuniões de domingo.
Embora soubesse que era contrário à Palavra de Sabedoria, ela adquiriu o hábito de tomar café e sempre deixava um bule de café atrás do fogão. Ela alegava: “O Senhor não vai me deixar fora do céu por causa de uma xicrinha de café”. No entanto, por causa daquela pequena xícara de café, ela não pôde qualificar-se para uma recomendação para o templo, e o mesmo aconteceu aos filhos que tomavam café com ela. Embora tenha vivido até uma idade avançada e por fim tenha-se qualificado para entrar e servir novamente no templo, só um de seus dez filhos se casou dignamente no templo, e muitos de sua posteridade, que hoje está na quinta geração, não desfrutam das bênçãos do evangelho restaurado no qual ela acreditava e pelo qual seus antepassados tanto se sacrificaram.
A última história é a respeito de Christina (nome real omitido), que se batizou e foi selada à família quando era menina, mas cuja família, em dado momento, deixou de viver o evangelho. Ela estava no final da adolescência, tinha feito algumas escolhas erradas e estava muito infeliz.
Certo dia, dei-lhe um exemplar do Progresso Pessoal e disse: “Este livro vai ajudá-la a incorporar qualidades de Cristo em sua vida de modo que você possa fazer as mudanças que deseja. Peço a você que comece a trabalhar em seu livreto hoje e depois leve-o com você para o serão dos jovens, hoje à noite, para contar-me o que aprendeu”. Naquela noite, ela disse com lágrimas nos olhos: “Comecei hoje o meu progresso pessoal”. Ela me escreveu algumas vezes, depois daquele dia. Voltou a freqüentar as reuniões de domingo, a Mutual e o seminário. Depois de algumas semanas, a irmã e a mãe dela foram à Igreja com ela. Mais tarde, o pai passou a ir também e agora a família inteira voltou a freqüentar o templo.
Então, quais foram algumas lições que aprendi com essas histórias a respeito de lembrar, arrepender-se e mudar?
A primeira lição é que todos cometem erros.6 Há algum tempo, estive com uma menina de oito anos no dia de seu batismo. No final do dia, ela disse com toda a confiança: “Já estou batizada há um dia inteiro e não pequei nenhuma vez!” Mas seu dia perfeito não duraria para sempre, e tenho certeza de que ela está aprendendo agora, como todos nós, que por mais que tentemos, nem sempre evitamos todas as situações ruins e todas as escolhas erradas, nem nos controlamos como deveríamos. Muitas vezes ouço falar da geração escolhida e real desta dispensação, mas nunca ouvi chamarem-na de geração perfeita. Os adolescentes são particularmente vulneráveis porque o poder de Satanás é real, e os jovens estão tomando suas primeiras grandes decisões independentes. Conseqüentemente, também cometem seus primeiros grandes erros.
Foi isso que aconteceu com Coriânton do Livro de Mórmon. Coriânton deveria estar servindo fielmente como missionário, mas achou que era forte e esperto o suficiente para lidar com situações arriscadas e com más companhias, e acabou tendo grandes problemas e cometendo um grande pecado quando começou a ir a lugares impróprios, com as pessoas erradas, e a fazer coisas erradas.7
Minha segunda lição é que o arrependimento não é opcional. Recebemos o mandamento de arrepender-nos.8 O Salvador ensinou que a menos que nos arrependamos e nos tornemos como criancinhas, de modo algum herdaremos o reino de Deus.9 Não podemos deixar que uma xícara de café, um mau hábito, uma escolha ruim ou uma decisão errada nos desencaminhe por toda a vida.
Às vezes, as pessoas vêem o arrependimento com leviandade. Já ouvi algumas pessoas dizerem que o arrependimento é difícil demais. Outras dizem que estão cansadas de se sentir culpadas ou que foram ofendidas por um líder que as estava ajudando a se arrepender. Às vezes, as pessoas desistem quando cometem erros e acreditam que não há esperança para elas. Algumas pessoas imaginam que se sentirão melhor consigo mesmas se simplesmente abandonarem o evangelho restaurado e se afastarem.
É Satanás quem coloca idéias de desesperança no coração dos que cometeram erros. O Senhor Jesus Cristo sempre nos dá esperança. Ele disse:
“Foste escolhido para fazer a obra do Senhor, mas por causa de transgressão, se não ficares atento, cairás.
Lembra-te, porém, de que Deus é misericordioso; portanto arrepende-te do que fizeste contrário ao mandamento que te dei e és ainda escolhido; e és chamado à obra outra vez”.
10 O caminho mais fácil e rápido para a felicidade e a paz é arrepender-nos e mudar, o mais rápido que pudermos.
A terceira lição é que não conseguimos isso sozinhos. Não é possível fazer mudanças reais por nós mesmos. A nossa própria força e boas intenções não são suficientes. Quando cometemos erros ou escolhemos mal, precisamos ter a ajuda de nosso Salvador para voltar para o caminho certo. Tomamos o sacramento todas as semanas para mostrar nossa fé em Seu poder de mudar-nos. Confessamos nossos pecados e prometemos abandoná-los.11
Se todo o nosso empenho não for suficiente, é por meio de Sua graça que obtemos forças para continuar tentando.12 O Senhor disse: “E se os homens vierem a mim, mostrar-lhes-ei sua fraqueza. E dou a fraqueza aos homens a fim de que sejam humildes; e minha graça basta a todos os que se humilham perante mim; porque caso se humilhem perante mim e tenham fé em mim, então farei com que as coisas fracas se tornem fortes para eles.”13
Se buscarmos a ajuda do Senhor para mudar, teremos então esta promessa: “Eis que aquele que se arrependeu de seus pecados é perdoado e eu, o Senhor, deles não mais me lembro”.14 O Senhor não desiste de nós. Ele disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”15 A alegria e a paz que sentimos ao saber que fomos perdoados é uma bênção divina. Essa paz chega no momento determinado pelo Senhor e à maneira Dele, mas sempre chega.
Minha última lição é que podemos mudar. Todo dia é uma nova oportunidade para nos lembrarmos de nosso Salvador e seguir Seu exemplo. Sem arrependimento, não podemos progredir.16 É por isso que o arrependimento é o segundo princípio do evangelho.17
Em vez de arrumar desculpas para uma fraqueza, devemos trabalhar a cada dia para desenvolver bons hábitos e qualidades semelhantes às de Cristo. O Presidente Spencer W. Kimball disse: “O cultivo de qualidades semelhantes às de Cristo é uma tarefa árdua e implacável — não é para o que trabalha ocasionalmente ou para os que não se desdobram sempre e sempre.”18 Aprendi com Christina que desenvolver qualidades semelhantes às de Cristo em nossa vida é um sinal de que estamos mudando.
Como todos somos mortais, todos cometemos erros. O arrependimento não é opcional, mas não estamos nisso sozinhos. Temos um Salvador para ajudar-nos a arrepender-nos. Ao desenvolvermos as qualidades Dele em nossa vida, sabemos que estamos fazendo mudanças que nos ajudarão a achegar-nos a Ele.
A irmã Fox disse que o evangelho era seu “manto de proteção contra a tentação, [seu] consolo nas tristezas, [sua] alegria e glória em todos os [seus] dias, e [sua] esperança de vida eterna”.19 Ela adotou como lema: “O Reino de Deus ou nada”, porque sabia que, se abraçasse o evangelho de todo o coração, poderia receber a promessa feita pelo Salvador a todos nós: “Aquele que se arrepender e for batizado em meu nome (…) se perseverar até o fim, eis que eu o terei por inocente perante meu Pai no dia em que eu me levantar para julgar o mundo.”20
É por meio do arrependimento que conhecemos o Salvador, e minha fé e confiança Nele aumentam quando busco Sua ajuda para mudar. Presto testemunho de que Ele é real e tem poder, em nome de Jesus Cristo. Amém.
Notas
1. Morôni 10:32
2. Ver Janet Peterson e LaRene Gaunt, Keepers of the Flame: Presidents of the Young Women, 1993, pp. 33–34.
3. Ver Keepers of the Flame, p. 38.
4. Keepers of the Flame, p. 41.
5. Keepers of the Flame, p. 49.
6. Ver “Arrependimento”, Guia para o Estudo das Escrituras, p. 22.
7. Ver Alma 39:1–9.
8. Ver D&C 19:15.
9. 3 Néfi 11:38
10. D&C 3: 9–10.
11. Ver D&C 58:43.
12. Ver “Graça”, Guia para o Estudo das Escrituras, p. 93.
13. Éter 12:27.
14. D&C 58:42.
15. Mateus 11:28.
16. Ver “Arrependimento”, Guia para o Estudo das Escrituras, p. 22.
17. Regras de Fé 1:4.
18. “Privileges and Responsibilities of Sisters”, Ensign, novembro de 1978, p. 105.
19. Keepers of the Flame, p. 49.
20. 3 Néfi 27:16.

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