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domingo, 26 de abril de 2009

O Poder da Paciência




 A paciência pode ser considerada uma virtude catalisadora que contribui para o desenvolvimento e fortalecimento das virtudes correlatas do perdão, da tolerância e da fé.

(...)Considero muito interessante que quatro dos treze elementos dessa virtude que o homem precisa ter estejam relacionados com a paciência (ver Morôni 7:44–45).
Primeiro, “a caridade é sofredora”. Isso tem tudo a ver com paciência.
“A caridade não se irrita facilmente” é outro aspecto dessa qualidade, assim como “a caridade tudo sofre”.
E, por fim, a caridade “tudo suporta” sem dúvida é uma manifestação de paciência (Morôni 7:45). Considerando-se esses elementos definidores, fica evidente que se a paciência não adorna a nossa alma, estamos bem longe de ter um caráter semelhante ao de Cristo.
Na Bíblia, Jó é o exemplo clássico da paciência. Tendo perdido seu vasto império, inclusive seus filhos, Jó foi capaz de proclamar, graças à sua fé inabalável: “O Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor”. Durante todas as suas tribulações e sofrimentos, “Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma” (Jó 1:21–22).
Quantas vezes ouvimos os aflitos perguntarem insensatamente: “Como pôde Deus fazer isso comigo?”, quando na verdade deveriam orar pedindo forças para “sofrer” e “suportar todas as coisas”.
Os maiores exemplos de paciência encontrados nas escrituras vêm da vida de Jesus Cristo. Mas o melhor exemplo de Sua paciência e resignação está naquela noite excruciante no Getsêmani em que Ele proferiu, na agonia da Expiação: “(…) Meu Pai, seé possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mateus 26:39).
Ele verdadeiramente sofreu e suportou todas as coisas.
Enquanto estava pregado na cruz do Calvário, Cristo prosseguiu com Seu perfeito exemplo de paciência, ao proferir estas palavras extraordinárias: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).
Esses exemplos de paciência têm maior significado para nós se levarmos em consideração a admoestação de 3 Néfi: “Portanto, que tipo de homens devereis ser? Em verdade vos digo que devereis ser como eu sou” (3 Néfi 27:27).
Várias escrituras destacam a importância da paciência. Vejamos algumas:
“Todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1:19).
“Não obstante, o Senhor julga conveniente castigar seu povo; sim, ele prova sua paciência e sua fé” (Mosias 23:21).
Em Mosias, o rei Benjamim ensina que somos homens naturais, inimigos de Deus, até cedermos ao influxo do Espírito Santo por meio da nossa paciência e outras virtudes (ver Mosias 3:19).
Joseph Smith declarou: “A paciência é celestial” (History of the Church, vol. 6, p. 427).
Será que é importante e útil ponderar e buscar a paciência? Sem dúvida que sim, se quisermos evitar a classificação depreciativa de “nada” usada para rotular os que não têm caridade; é importante se desejarmos ser menos do homem natural, inimigo de Deus; é importante se quisermos ser celestiais; é importante se quisermos procurar nos tornar semelhantes a Cristo.
O homem natural e impaciente está em toda parte. Podemos vê-lo em noticiários que falam de pais que maltratam o filho, num acesso de raiva, a ponto de matá-lo. Em nossas estradas, incidentes de impaciência ao volante resultam em violentos acidentes e muitas vezes em fatalidades. Menos dramáticos, porém bem mais comuns, são os casos de ânimos exaltados e palavras ásperas suscitados por filas lentas, ligações intermináveis de telemarketing ou filhos que relutam em atender a nossas instruções.
Alguma dessas coisas soa familiar?
Felizmente, há histórias maravilhosas de grande paciência, ainda que sejam raramente relatadas.
Recentemente, estive no funeral de um grande amigo. O filho dele contou uma bela história de paciência paterna. Quando o filho era jovem, o pai tinha uma concessionária de motocicletas. Certo dia, receberam uma entrega de motocicletas novinhas em folha e as enfileiraram na loja. O rapaz fez o que todo rapaz teria vontade de fazer: montou na motocicleta mais próxima. Chegou até a dar a partida, então, quando se deu conta de que tinha abusado da sorte, pulou da moto. Para sua consternação, ao descer da motocicleta, ele derrubou a primeira da fileira. Então, como uma fila de dominós, foram todas caindo, uma após a outra. O pai ouviu o barulho e colocou a cabeça para fora da sala onde estava trabalhando. Com um discreto sorriso, ele disse: “Bem, meu filho, é melhor consertarmos e vendermos uma delas, para podermos pagar as outras”.
Acho que a reação de meu amigo é o perfeito exemplo da paciência paterna.
A paciência pode ser considerada uma virtude catalisadora que contribui para o desenvolvimento e fortalecimento das virtudes correlatas do perdão, da tolerância e da fé. Quando Pedro perguntou a Cristo quantas vezes deveria perdoar a seu irmão, Cristo respondeu “setenta vezes
sete”, em vez de apenas sete, como Pedro sugerira (ver Mateus 18:21-22).
Perdoar setenta vezes sete, sem dúvida, exige muita paciência. O Élder Neal A. Maxwell vinculou a paciência à fé ao ensinar: “A paciência está intimamente vinculada à fé no Pai Celestial. Na verdade, quando somos indevidamente impacientes, estamos sugerindo que sabemos o que é melhor, mais do que Deus. Ou ao menos que nosso cronograma é melhor que o Dele” (Neal A. Maxwell, “Patience”, Ensign, outubro de 1980, p. 28).
Nossa fé só poderá aumentar se estivermos dispostos a esperar pacientemente que os propósitos e padrões de Deus se manifestem em nossa vida, no tempo Dele. Já que a impaciência é algo tão natural, como é que desenvolvemos a virtude divina da paciência? Como deixamos de ser o homem natural e passamos a seguir o exemplo de paciência que é Jesus Cristo?
Primeiro, precisamos compreender que isso é necessário, se desejarmos desfrutar plenamente as bênçãos do evangelho restaurado. Esse entendimento nos motiva a:
1. Ler cada escritura indicada no verbete “paciência” do Guia para Estudo das Escrituras e, depois, ponderar os exemplos de paciência deixados por Cristo.
2. Avaliar-nos para determinar onde estamos na escala da paciência. Quanta paciência ainda temos que desenvolver para nos tornarmos mais semelhantes a Cristo? Fazer essa autoavaliação
é difícil. Poderíamos pedir a nosso cônjuge ou a outro membro da família que nos ajude.
3. Tornar-nos mais sensíveis aos exemplos de paciência e impaciência que acontecem à nossa volta todos os dias. Devemos esforçar-nos para imitar as pessoas que consideramos pacientes.
4. Renovar a cada dia o compromisso de tornar-nos mais pacientes e não deixar de envolver a pessoa da família que escolhemos para o nosso projeto de paciência.
Parece que tudo isso dá muito trabalho, mas para alcançar qualquer objetivo que valha a pena é preciso trabalho árduo.
ÉLDER ROBERT C. OAKS
Da Presidência dos Setenta
Fonte: A Liahona Nov2006

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