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segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Virtude da Bondade


Élder Joseph B. Wirthlin
Do Quórum dos Doze Apóstolos
(A Liahona Abril/2005)

"A bondade é a essência da vida celestial. A bondade é como as pessoas com atributos cristãos tratam o próximo."

Há muitos anos, quando fui chamado para servir como bispo, senti que o bispado deveria visitar os membros não muito ativos na Igreja, para ver se havia alguma coisa que pudéssemos fazer para levar as bênçãos do evangelho para a vida deles.

Certa vez, conversamos com um homem de uns 50 e poucos anos, um respeitado mecânico. Ele contou-me que a última vez em que havia ido à Igreja ele ainda era menino. Alguma coisa aconteceu naquele dia. Ele não estava se comportando bem na classe e estava fazendo barulho demais, até que seu professor ficou zangado, levou-o para fora da classe e disse-lhe para não voltar mais.
E ele nunca mais voltou.
Surpreendeu-me que uma palavra ríspida proferida há mais de quatro décadas tivesse causado um efeito tão profundo. Mas assim foi. E, como conseqüência, esse homem nunca mais voltou para a Igreja, bem como sua esposa e filhos.
Pedi-lhe desculpas e expressei minha consternação por ele ter sido tratado de tal maneira. Disse-lhe como era lamentável que uma palavra proferida num momento de descontrole, e há tanto tempo, tivesse causado um efeito tão profundo, a ponto de privar sua família das bênçãos que advém da atividade na Igreja.
“Depois de 40 anos”, disse-lhe: “está na hora da Igreja reparar esse erro.”

Fiz o que pude para reparar o erro. Enfatizei que ele era bem-vindo e necessário. Fiquei muito feliz quando esse homem e sua família finalmente voltaram para a Igreja e tornaram-se membros fiéis e fortes. Esse bom homem, particularmente, tornou-se um mestre familiar eficaz porque compreendeu como algo tão pequeno e como uma palavra rude teve conseqüências que se estenderam por toda uma vida e talvez até além dela.
A bondade é a essência da grandeza do espírito e a característica fundamental dos homens e mulheres mais nobres que já tive a oportunidade de conhecer.
A bondade é a chave que abre portas e molda os bons amigos. Ela suaviza corações e molda os relacionamentos que podem perdurar a vida toda.

Palavras gentis, não apenas elevam nosso espírito no momento em que são proferidas, mas também perduram conosco através dos anos.

Certa vez, quando eu estava na faculdade, um homem sete anos mais velho que eu, parabenizou-me pelo meu desempenho em um jogo de futebol americano. Ele não apenas elogiou o que eu havia feito no jogo, mas também percebeu que eu havia demonstrado espírito esportivo. Embora essa conversa tenha ocorrido há mais de 60 anos, e apesar de ser muito provável que o homem que me elogiou não tenha qualquer lembrança dessa conversa comigo, eu ainda me lembro das palavras gentis que me foram ditas naquele dia por Gordon B. Hinckley, que mais tarde se tornaria o Presidente da Igreja.
Os atributos da bondade e da habilidade de pensar no próximo, estão inseparavelmente ligados ao Presidente Hinckley. Quando meu pai faleceu em 1963, o Presidente Hinckley foi a primeira pessoa a ir à nossa casa. Nunca esquecerei de sua bondade. Ele deu uma bênção de consolo à minha mãe e entre outras coisas, prometeu que ela teria muito pelo que viver e que a vida lhe seria doce. Essas palavras deram alento a minha mãe e a mim; nunca esquecerei sua bondade.

A bondade é a essência da vida celestial.
A bondade é como as pessoas com atributos cristãos tratam o próximo.
A bondade deve permear todas as nossas palavras e ações no trabalho, na escola, na Igreja e especialmente em nosso lar.

Jesus, nosso Salvador, foi o exemplo maior da bondade e da compaixão.
Ele curou os doentes; passou grande parte de Seu tempo ministrando e cuidando de um ou muitos; falou com compaixão à mulher samaritana, que foi desprezada por muitos; e disse a Seus discípulos que levassem as criancinhas até Ele. Ele era bondoso com todos que haviam pecado, condenando apenas o pecado, e não o pecador. Ele gentilmente permitiu que milhares de nefitas se aproximassem para sentirem as marcas dos cravos em Suas mãos e pés; mas, Seu maior ato de bondade foi realizado em Seu sacrifício expiatório, que livrou a todos dos efeitos da morte e dos efeitos do pecado, desde que se arrependessem.

O Profeta Joseph Smith era um exemplo de bondade para com todos, fossem velhos ou jovens. Uma criança que sentiu a bondade do Profeta, lembra-se:
“Meu irmão mais velho e eu estávamos a caminho da escola, que ficava próxima ao prédio que era conhecido como a loja de tijolos do Joseph. Havia chovido no dia anterior e o solo estava lamacento, especialmente ao longo daquela rua. Tanto meu irmão Wallace como eu ficamos [com os pés] presos na lama, e não conseguíamos sair dali; naturalmente, como crianças, começamos a chorar, pois pensamos que nunca mais sairíamos dali. Mas, ao olhar para cima, vimos o amoroso amigo das crianças, o Profeta Joseph Smith, vindo em nossa direção. Rapidamente ele nos colocou em solo seco, abaixou-se para limpar nossos sapatos pesados com a lama, tirou seu lenço do bolso e limpou as lágrimas de nosso rosto. Ele nos falou palavras animadoras e nos colocou alegres a caminho da escola mais uma vez.”1

Não existe substituto para a bondade em nosso lar.
Essa lição eu aprendi de meu pai. Ele sempre dava atenção aos conselhos de minha mãe. Em conseqüência disso, era um homem melhor, mais bondoso e gentil.

Procuro seguir os exemplos de meu pai e dou atenção aos pontos de vista de minha mulher. Dou valor à sua opinião. Por exemplo, quando minha esposa começa uma frase com as palavras, “Acho que você deveria....”, eu imediatamente presto atenção e começo a procurar em minha mente por alguma coisa que tenha feito de errado. Com freqüência, antes que minha esposa termine sua frase, eu já tenho em minha mente um pedido maravilhoso de desculpas.
Na verdade, minha esposa é um modelo de bondade, gentileza e compaixão. Seu discernimento, conselho e apoio me têm sido valiosos. Por causa dela, eu, também, sou uma pessoa mais sábia e bondosa.

As coisas que dizemos, o tom de voz, a raiva ou a calma em nossas palavras são coisas percebidas pelas crianças e pelos outros. Eles vêem e aprendem de nós tanto as coisas bondosas como as coisas indelicadas que dizemos ou fazemos. Nada expõe mais nosso verdadeiro eu do que a maneira de tratarmos uns aos outros em casa.
Freqüentemente fico imaginando porque algumas pessoas pensam que devem criticar os outros. Isso vira hábito, acho que se torna tão natural para essas pessoas, que nem mesmo se dão conta do que estão fazendo. Criticam todos — a maneira como a irmã Maria rege a música, a maneira como o irmão Paulo dá a lição ou cuida do jardim.
Mesmo quando nós pensamos que não estamos fazendo mal a ninguém com nossos comentários críticos, as conseqüências existem.
Lembro-me de um menino que entregou o envelope de doação ao seu bispo e disse-lhe que a doação era para ele. O bispo, usando esse momento para ensiná-lo, explicou que o menino deveria escrever no formulário de doação se ela era uma doação de dízimo, oferta de jejum ou alguma outra coisa. O menino insistiu que o dinheiro era para ele mesmo, o bispo. Quando o bispo perguntou porque, o menino respondeu: “Porque meu pai disse que você é um pobre bispo, dos mais pobres que já tivemos.”
A Igreja não é o lugar onde as pessoas perfeitas se reúnem para dizer coisas perfeitas, ter pensamentos ou sentimentos perfeitos.
A Igreja é o lugar onde as pessoas imperfeitas se reúnem para proporcionar umas às outras, incentivo, apoio e serviço à medida que progredimos em nossa jornada de retorno ao nosso Pai Celestial.
Cada um de nós viaja em estradas diferentes nessa vida. Cada um progride em um ritmo diferente. As tentações que afligem nosso irmão podem não nos incomodar em nada. Nossos pontos fortes podem parecer impossíveis para uma outra pessoa.

Nunca despreze as pessoas que são menos perfeitas que você. Não se aborreça porque alguém não sabe costurar, lançar uma bola, remar ou capinar tão bem quanto você.
Somos todos filhos de nosso Pai Celestial. Estamos aqui nesta Terra, todos com o mesmo objetivo: aprender a amá-lo com todo nosso coração, poder, mente e força, e amar nosso próximo como a nós mesmos.2
Uma maneira para medir nosso valor no reino de Deus é perguntar: “Como estou-me saindo em ajudar o próximo a alcançar seu potencial? Eu apoio os outros na Igreja ou sempre os crítico?”

Se você critica os outros, enfraquece a Igreja. Se você edifica o próximo, edifica o reino de Deus. Assim como o Pai Celestial é bondoso, devemos ser bondosos com os outros.

O Élder James E. Talmage, um homem que é lembrado por seus ensinamentos doutrinários, mostrou grande bondade a uma família vizinha, que lhe era totalmente estranha, e que estava passando por uma crise séria. Antes de ser chamado para servir como Apóstolo, um jovem pai ainda, ele ficou sabendo de uma família grande de vizinhos que estava sofrendo muito: havia sido contaminada com a temida doença chamada difteria. Ele não se importou por não serem membros da Igreja, sua bondade e caridade o impeliram à ação. A Sociedade de Socorro procurava por voluntários desesperadamente, mas ninguém se oferecia por medo da natureza contagiosa dessa doença. Quando chegou à casa do vizinho, James encontrou uma criancinha de uns dois anos já morta e duas outras crianças agonizantes com a doença. Ele imediatamente se pôs a trabalhar, limpando a casa desarrumada, preparando o corpinho para o enterro, limpando e cuidando das outras crianças doentes, e passou todo o dia fazendo isso. Ele retornou na manhã seguinte e soube que mais uma criança havia falecido durante a noite. A terceira criança ainda sofria terrivelmente. Ele escreveu em seu diário: “Ela se pendurou em meu pescoço, muitas vezes tossindo [os germes] em meu rosto e minhas roupas (...) ainda assim, eu não era capaz de pô-la de lado. Durante a meia-hora que precedeu sua morte, eu andei pela sala com a criaturinha em meus braços. Ela morreu agonizando às 10 horas da manhã”. As três crianças faleceram em um período de 24 horas. Ele então, prestou assistência à família durante os arranjos necessários para o funeral e ofereceu o discurso no enterro das crianças.3 Ele fez tudo isso por uma família de estranhos. Que grande exemplo de bondade cristã!

Quando estamos com o coração cheio de bondade, não somos críticos.
O Salvador ensinou: “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; soltai e soltar-vos-ão”.4
Ele ensinou também que: “com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós”.5

“Mas”, você pode perguntar, “e se as pessoas forem rudes?” Ame-as “Se elas forem muito irritantes?” Ame-as “Mas, se elas forem ofensivas? Certamente nesse caso, eu tenho que fazer alguma coisa?” Ame-as “Se pecaram?” A resposta é a mesma. Seja bondoso. Ame-as

Por quê? Nas escrituras o Apóstolo Judas ensinou: “E apiedai-vos de alguns, usando de discernimento”.6
Quem pode prever o alcance futuro e o impacto causado, se apenas formos bondosos?

Meus irmãos e irmãs, o evangelho de Jesus Cristo transcende a mortalidade. Nosso trabalho aqui é apenas uma pequena amostra das coisas grandiosas e que não podemos nem imaginar e que estão para vir.

Os céus se abriram para o Profeta Joseph Smith. Ele viu o Deus vivente e Seu Filho, Jesus Cristo.
Em nossos dias, um profeta, o Presidente Gordon B. Hinckley, caminha sobre a Terra e nos dá orientação para os nossos dias.
Assim como o nosso Pai Celestial nos ama, também nós devemos amar os Seus filhos.

Oro para que sejamos modelos de bondade.
Que vivamos à altura das palavras do Salvador: “Nisto todos conhecerão que sois meus díscípulos, se vos amardes uns aos outros.”7
Presto testemunho dessas verdades no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas 1.Margarette McIntire Burgess in Juvenille Instructor, 15 janeiro de 1892, pp. 66–67. 2.Ver Marcos 12:30–31. 3.Ver John R. Talmage, The Talmage Story: Life of James E. Talmage — Educator, Scientist, Apostle, (1972), pp. 112–114. 4.Lucas 6:37. 5.Mateus 7:2. 6.Judas 1:22. 7.João 13:35.

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