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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Os Pais Têm um Dever Sagrado


BONNIE D. PARKIN
Presidente Geral da Sociedade de Socorro


Responsabilidades Familiares
Se eu pudesse fazer com que uma coisa acontecesse aos pais e líderes desta Igreja seria que sentissem o amor do Senhor na vida deles a cada dia, ao cuidarem dos filhos do Pai Celestial. Talvez não seja algo que eu diga que vá tocar-lhes o coração, mas o que o Espírito sussurrar para vocês. Sigam essa doce inspiração.

Lembro-me vividamente de quando a Proclamação sobre a Família nos foi dada: 23 de setembro de 1995. Eu estava sentada no Tabernáculo, na Reunião Geral da Sociedade de Socorro. O Presidente Hinckley era o último orador. Ele apresentou “A Família: Proclamação ao Mundo”. Fez-se silêncio na congregação, mas foi acompanhado de um sentimento de entusiasmo, uma reação do tipo: “Sim — precisamos ajudar nossa família!”

Lembro-me de ter sentido que aquilo era tão correto! Lágrimas correram-me pelo rosto. Ao olhar para outras irmãs sentadas ao meu redor, pareceu-me que elas estavam tendo sentimentos semelhantes. Havia tantas coisas na proclamação, que mal pude esperar para conseguir uma cópia e estudá-la. A proclamação afirma a dignidade das mulheres. É significativo notar que ela foi dada em primeiro lugar para as mulheres da Igreja na Reunião Geral da Sociedade de Socorro — sei que o Presidente Hinckley valoriza as mulheres.

Estamos todos aqui como líderes da Igreja. Somos muito ocupados. Mas precisamos lembrar-nos — tal como vocês — de que nossa principal responsabilidade é para com a nossa família.
Lembrem-se, ela é uma das poucas bênçãos que levaremos conosco para a eternidade!1
Newel K. Whitney era um bispo nos primórdios da Igreja em Kirtland. Tal como vocês, bispos de hoje, ele devia estar muito atarefado fazendo muitas coisas boas. Mas foi repreendido pelo Senhor e recebeu o mandamento de “pôr em ordem sua família (. . .)” (D&C 93:50; grifo da autora). Irmãos e irmãs, esse conselho se aplica a todos nós.

Muitos de vocês são pais e avós, ou talvez o sejam algum dia.
Mas quer sejam casados ou não, somos todos membros de uma família.
Pensem um minuto em sua própria família. O que vocês amam nela? Eis uma coisa que amo na minha: Fico muitíssimo feliz por meus quatro filhos adorarem a companhia uns dos outros.

Que doutrina sobre a família é ensinada na Proclamação? Gostaria de enfocar um parágrafo. “Segundo o modelo divino, o pai deve presidir a família com amor e retidão, tendo a responsabilidade de atender às necessidades de seus familiares e de protegê-los. A responsabilidade primordial da mãe é cuidar dos filhos. Nessas atribuições sagradas, o pai e a mãe têm a obrigação de ajudar-se mutuamente como parceiros iguais.”2

Adoro as palavras: “Segundo o modelo divino”.
Sermos pais faz parte do modelo divino do Pai Celestial para Seus filhos. Como pais, temos a divina responsabilidade de prover o sustento, proteger e cuidar de nossa família.
Como esses princípios — prover, proteger e nutrir — nos ajudam a criar filhos justos?

Prover
A Proclamação diz que os pais devem prover “as necessidades” da vida. Mas quais são essas necessidades? Sim, são um teto sobre a cabeça e comida na mesa. Mas graças ao plano do evangelho, sabemos que há mais do que isso. Incluem aptidões —coisas que edificam o caráter. Vejamos alguns exemplos.
Provemos as necessidades de nossos filhos quando os ensinamos a trabalhar.
Quero contar-lhes sobre meu neto Jacob. Ele não queria ir para a escola. A mãe dele tentou muitas coisas. Por fim, sentou-se com ele e disse: “O papel do papai é trabalhar e ganhar dinheiro. Meu papel é ficar em casa e cuidar de você, de seus irmãos e de sua irmã. E seu papel é ir para a escola”. Quando Jacob compreendeu o princípio, ele o aceitou e foi para a escola.
Também ensinamos nossos filhos a trabalhar esperando que façam tarefas e, quando adequado, que trabalhem fora de casa. Ajudamos nossos filhos a prover seu próprio sustento ensinando-lhes o valor do trabalho.
Comecem cedo! Meu marido diz que a maior dádiva que seu pai lhe deu foi a independência — porque o ensinou a trabalhar.

Administrar nossas finanças é algo que também nos ajuda a sermos bons provedores.
Como pais, planejem juntos o seu orçamento.
Ensinem a seus filhos a diferença entre desejos e necessidades. Não coloquem fardos financeiros indevidos nos ombros de seu cônjuge.
Quando o Presidente Hinckley nos aconselhou a livrar-nos das dívidas, um pai que conheço sentou-se com seus filhos casados e perguntou como estavam as finanças deles. Ficou surpreso ao descobrir que dois tinham grandes dívidas. Perguntou-lhes, então, se poderia ajudá-los a fazer um plano.
Os estudos e a instrução possibilitam aos pais proverem o sustento da família.
Incentivem seus filhos a conseguirem toda instrução que puderem. Em alguns países, os jovens não conseguem se qualificar para os empréstimos do Fundo Perpétuo para a Educação porque não concluíram o curso médio. No mundo atual, é importante que os pais continuem a aprender.

Proteger
O segundo princípio é proteger.
Proteção do quê? Do perigo — tanto físico quanto espiritual. Protegemos nossos filhos quando ensinamos que eles têm valor divino, quando vamos para a Igreja em família, quando realizamos a Reunião de Noite Familiar, quando oramos em família, quando estudamos juntos as escrituras. Isso tudo é muito simples, mas testifico que proporciona uma vigorosa proteção.
A Proclamação ensina que os pais têm o dever sagrado de proteger os filhos.
Os maus-tratos podem ser emocionais, como subestimar o cônjuge ou um filho, tratá-los como se fossem inúteis negando amor e afeição.
O pai não protege a família quando bate na esposa ou nos filhos.
Uma irmã da África Ocidental disse que antes de filiar-se à Igreja o pai batia na mãe e nos filhos. “Agora”, disse ela, “ele nos trata com respeito e ternura porque sabe que somos filhos de Deus”.
Os pais protegem os filhos prestando atenção nos amigos que eles escolhem.
Uma adolescente ficou zangada quando o pai a questionou sobre suas atividades noturnas. O pai explicou que a proclamação dizia que ele devia ser o protetor de sua família e que ele amava a filha e era por isso que queria certificar-se de que ela estaria segura.
Precisamos também proteger nossos filhos das influências da mídia.
Saibam o que seus filhos estão assistindo na televisão, no cinema e na casa dos amigos. Se tiverem um computador em casa, certifiquem-se de que seja um instrumento para coisas “virtuosas, amáveis, de boa fama ou louváveis” (13ª Regra de Fé).
Somos protegidos quando seguimos o profeta vivo. De que modo vocês foram protegidos como família ao seguirem o conselho do Presidente Hinckley de lerem o Livro de Mórmon? Recebi recentemente a carta de uma irmã da Inglaterra. Ela escreveu:
“Minha família teve muitas dificuldades no ano passado quando meu marido decidiu não ir mais à Igreja. Ele tinha sido ativo a vida inteira e já fizera parte de bispados. Clamei do fundo do coração ao Senhor para saber o que fazer para não ter ressentimentos nem amargura. Realizava a noite familiar e as orações em família sozinha com meus filhos. Certa vez no templo, senti-me inspirada, por causa do desafio de ler o Livro de Mórmon, a não mais ler as escrituras sozinha com meus filhos, mas a levar as crianças e as escrituras até onde quer que meu marido estivesse na casa. Portanto, todas as noites, às nove horas, íamos procurá-lo. Ele está lendo conosco — não o fez a princípio, mas agora o faz. Está indo às reuniões da Igreja, junta-se a nós na oração familiar e lidera os debates sobre o evangelho. Meus filhos foram instrumentos do Senhor e levaram a palavra do amor que redime a meu marido. Isso tem sido uma grande bênção para minha família”.

Nutrir
O terceiro princípio é nutrir.
Com que isso se parece? O que é nutrir? Como é nutrir? Nutrir se assemelha a gostar, parece-se com esta escritura: “Com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido; com bondade” (D&C 121:41–42). Vou dar-lhes alguns exemplos.

Penso que nutrir se parece com disciplinar com amor.
Uma jovem mãe pára seu filho quando ele não obedece. Toma o rosto dele nas mãos, olha em seus olhos e diz: “Ouça o que estou dizendo”.
Precisamos ensinar nossos filhos a tomarem decisões sábias, mas não podemos remover as conseqüências de suas ações. Lembrem-se de que a base do plano de nosso Pai Celestial é o arbítrio.

O que é nutrir? Grande parte do ensino e da formação de relacionamentos na família acontece em breves momentos não planejados durante a rotina diária.
A mesa de jantar é um lugar para conectar-nos uns aos outros, compartilhar nossas atividades do dia, ouvir e incentivar-nos mutuamente e rir juntos. Sei que o riso alivia o fardo.
Queridos pais e mães, estabeleçam um horário regular para as refeições de seus entes queridos.

Vocês encerram sua função de pais quando seus filhos estão crescidos e moram sozinhos? Não, isso nunca tem fim.
Estamos envolvidos no trabalho de criar uma família eterna.
Enquanto meu marido e eu servíamos em uma missão na Inglaterra, um de nossos filhos veio visitar-nos com a família. Lembro-me de tê-lo ouvido dizer: “Viemos porque precisamos ser nutridos”. Uma vez pais, sempre pais. Isso não é o máximo? Ao terminar de ler o Livro de Mórmon em dezembro, fiquei impressionada ao ver que até Mórmon aconselhou seu filho adulto, Morôni: “Sê fiel em Cristo, meu filho; (...) possa Cristo animar-te (...) e sua misericórdia e longanimidade e a esperança de sua glória e da vida eterna permaneçam em tua mente para sempre” (Morôni 9:25).

Como é nutrir? Às vezes é difícil conseguir mais de uma palavra como resposta da boca de um adolescente.
Eis uma pergunta que descobri ser extremamente útil para mudar isso: “Qual é o maior desafio ou problema que você está enfrentando agora?” Isso abre as portas para que os jovens compartilhem o que sentem. E quando eles o fizerem, apenas escutem! Não julguem, nem aconselhem, nem façam coisa alguma. Apenas escutem.
Ficarão impressionados com as conexões e vínculos que se formarão. Bispos e conselheiros, essa mesma pergunta pode ser muito poderosa ao entrevistarem os jovens em suas alas.

Criar soa como orar em família. Uma das lembranças mais duradouras que tenho de meu pai é a de ajoelhar com meus irmãos e minha irmã junto à cama de meus pais, em seu pequeno quarto, e ouvir meu pai suplicar ao Pai Celestial que abençoasse nossa mãe que estava no hospital.
Ouvir meu pai expressar-se do fundo do coração ajudou-me a saber que há um Deus no céu que nos ouve.
Orem por seus filhos a respeito da escola e peçam proteção para eles durante o dia. Nossos filhos ficam sabendo de nosso amor e expectativas quando nos ouvem orar por eles.

Fortalecer a Família
Como líderes, de que modo vocês fortalecem e apóiam as famílias das pessoas que vocês servem? Podem usar esses mesmos princípios — prover, proteger e nutrir — para fortalecer as famílias de sua ala.
Os líderes apóiam os pais honrando-os, e não passando à frente deles para assumir os cuidados de um filho. Vocês podem ser mentores e compartilhar interesses, mas respeitem a maneira como os pais gostariam que as coisas fossem feitas.
Uma mãe disse: “Sempre me pareceu que as últimas pessoas que meus filhos adolescentes queriam ouvir eram meu marido e eu. Às vezes, meus filhos, cedendo à pressão de amigos, deixavam de ouvir os pais. Sou grata pelos sábios líderes da Igreja que aconselharam nossos filhos. Eles nunca assumiram nosso papel de pais. Eles os ouviram, mas apoiaram nossa orientação e os encaminharam de volta a nós”.
Como família, todos temos necessidades. Quero deixar algumas palavras do fundo do coração para as mães que criam os filhos sozinhas.
Gostaria de contar a vocês a história de uma mãe de cinco filhos, cujo marido foi enviado ao Iraque em 2003. Ela contou:

“Quando meu marido partiu para o Iraque, no início de fevereiro, tínhamos três carros bons. Contudo, em novembro, todos os carros quebraram e não pudemos consertar dois deles. Nessa mesma época, meu filho de dezessete anos veio me dizer que não planejava servir em uma missão porque não tinha certeza se o evangelho era verdadeiro. Se houve um momento em minha vida no qual eu precisava das bênçãos do sacerdócio, foi naquele momento. Não me lembro dos detalhes de quando e onde, mas lembro-me claramente de ter recebido mais de uma bênção de portadores do sacerdócio dedicados, durante aquela época. Sempre soube que podia chamar meus mestres familiares e que eles viriam. Nenhum deles conseguiu consertar minha perua, mas puderam dar-me uma bênção do sacerdócio muito necessária e encontrar alguém que pudesse consertar o carro”.

Dedicados mestres familiares fizeram algo muito significativo para aquela família, e eles podem fazer o mesmo para toda família em que o pai ou a mãe esteja criando os filhos sozinhos, conhecendo-a, conquistando sua confiança e concedendo bênçãos do sacerdócio. Bispos, líderes de grupos de sumos sacerdotes, presidentes de quórum de élderes —aquelas mães precisam das bênçãos do sacerdócio no lar, assim como as nossas extraordinárias irmãs solteiras.

O Presidente Hinckley admoestou-nos, há dez anos, sobre “a mancha que lentamente cobre o mundo”, na época em que a Proclamação foi publicada. Aquela declaração profética reafirmou “os padrões, doutrinas e práticas referentes à família” do Senhor.3
Por outro lado, o mundo tenta ditar o papel das mulheres e da maternidade. As mulheres de hoje ouvem que precisam de uma carreira emocionante, de organizações das quais possam participar e, se tiverem os recursos, de filhos.
O honroso papel de mãe está cada vez mais fora de moda. Quero deixar isso bem claro: Não podemos permitir que o mundo menospreze o que sabemos que nos foi dado por desígnio divino.

Irmãs, gostaria de falar diretamente a vocês por alguns instantes. Como membros da Sociedade de Socorro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, é nossa bênção e responsabilidade cuidar da unidade familiar e apoiá-la.
Todas nós pertencemos a uma família, e toda família precisa ser fortalecida e protegida.

Minha maior ajuda para tornar-me uma dona de casa veio, em primeiro lugar, de minha própria mãe e de minha avó e, em seguida, das irmãs da Sociedade de Socorro das diversas alas em que moramos.
Aprendi a fazer coisas e vi o exemplo da alegria que sentimos ao criarmos um lar onde as pessoas querem estar. A partir de janeiro de 2006, haverá novas diretrizes para as reuniões e atividades de Aprimoramento Pessoal e Doméstico. Elas têm maior flexibilidade para que todas as irmãs participem.
Líderes da Sociedade de Socorro, certifiquem-se de que as reuniões e atividades que vocês planejarem fortaleçam o lar de todas as irmãs.
As professoras visitantes são outro instrumento de apoio à família. Espero que todas tenham a oportunidade de ser professoras visitantes.
As professoras visitantes não apenas fortalecem uma irmã espiritualmente, mas também têm a oportunidade única de ajudar e verificar as necessidades dela.
Líderes da Sociedade de Socorro, sejam diligentes em suas reuniões do comitê de bem-estar e ao relatarem as necessidades espirituais e materiais identificadas por suas professoras visitantes.

O Puro Amor de Cristo
Aos casados, peço que pensem: O que fez com que se apaixonasse por seu cônjuge?
Lembrar essas coisas pode encher seu coração de perdão.
Expressem seu amor um pelo outro. Uma mulher pode fazer a diferença na vida do marido ao edificar sua autoconfiança. Um marido pode iluminar até o dia mais sombrio com três simples palavras: “Eu amo você”.
Uma das maiores dádivas que os pais podem dar aos filhos é mostrar-lhes que se amam.
Nosso papel como pais na criação de filhos justos é prover o sustento, proteger e cuidar e fazemos isso como parceiros iguais. Fazemos o mesmo como líderes.
Ser líder é um trabalho árduo.
Ser pai ou mãe é um trabalho árduo.
Ficamos desanimados, mas continuamos em frente.
Creio que aprendemos muito sobre o puro amor de Cristo em nossa família e por meio do serviço na Igreja.

Como pais e líderes, precisamos dar a nossos filhos o amor que o Pai Celestial nos concede. Em Morôni 8:17, lemos: “Estou cheio de caridade, que é amor eterno”.
Acrescentem a isso as palavras do Senhor: “Como que com um manto, revesti-vos do vínculo da caridade, que é o vínculo da perfeição e paz” (D&C 88:125).
Convido-os a vestirem o manto da caridade em todas as suas atividades e a envolverem sua família no puro amor de Cristo.

Como famílias e líderes, envolvamos nossos entes queridos com o manto da caridade para que possamos voltar à presença de nosso Pai Celestial e viver com Ele juntos para sempre.
Em nome de Jesus Cristo. Amém.


Notas
1. Ver Gordon B. Hinckley, “Regozijar-nos pelo Privilégio de Servir”, Treinamento Mundial de Liderança, 21 de junho de 2003, p. 22.
2. “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 2004, p. 49.
3. “Enfrentar com Firmeza as Artimanhas do Mundo”, A Liahona, janeiro de 1996, 110.

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