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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Vinde, Ó Santos - Hino nº 20



A letra do hino famoso mórmon “Vinde, Ó Santos” foi escrita pelo poeta mórmon William Clayton no dia 15 de Abril, 1846.
Depois de fugir o genocídio autorizado pelo estado de Missouri alguns anos antes, e também depois de ter sido expulsos pela turbocracia de Illinois, milhares de mórmons se encontraram no deserto, na trilha para sua nova casa em Utah. William Clayton queria escrever uma música para expressar sua confiança em Deus. Mesmo com as dificuldades que tinha passado, ele sabia que Deus ajudaria os Mórmons a encontrarem seu descanso no deserto.
“Vinde, Ó Santos” se tornou um símbolo lindo desta grande migração mórmon para a região oeste dos Estados Unidos.

O êxodo dos mórmons de Nauvoo, Illinois, em fevereiro de 1846, figura como um dos acontecimentos épicos na história dos pioneiros dos Estados Unidos da América. No rigoroso inverno, eles atravessaram o rio Mississipi, tendo carregado em carroções o pouco que podiam levar consigo. Atrás deles deixaram os lares que haviam construído no pântano de Commerce durante os sete anos que puderam viver em Illinois. Diante deles, estendiam-se regiões desabitadas e desconhecidas em sua grande parte.

Em virtude de esta marcha parecer-se tanto com o êxodo dos israelitas do Egito para uma terra prometida, que não tinham visto, os mórmons deram a esse movimento o nome de “O Acampamento de Israel”.

Brigham Young e o primeiro grupo atravessaram o rio a 4 de fevereiro. Alguns dias mais tarde, o rio estava suficientemente gelado para agüentar os cavalos e os carroções. Mas, apesar do frio ter apressado o movimento, trouxe também intenso sofrimento. Eliza R. Snow, membro do grupo, escreveu o seguinte, a respeito das condições em que se encontravam esses exilados:

“Fui informada de que nasceram nove crianças na primeira noite de acampamento e, desde aquela época, ao prosseguirmos viagem, as mães davam a luz sob as mais variadas circunstâncias, algumas em tendas, outras nos carroções, sob a chuva ou tempestade de neve…

Deve-se lembrar que as mães dessas crianças nascidas no ermo não eram selvagens, acostumadas a vagar pelas florestas e a desafiar os temporais e tempestades… A maioria delas ha via nascido nos estados do leste (dos Estados Unidos) e lá abraçaram o evangelho, tal como havia sido ensinado por Jesus e seus apóstolos, e pela sua religião haviam-se unido aos santos. Sob trágicas circunstâncias, haviam auxiliado, com fé, paciência e energia, a fazer de Nauvoo o que o nome indica: “A Bela”. Tinham tido lindas casas, decoradas com flores e enriquecidas com árvores das melhores frutas, que mal haviam começado a produzir abundantemente.

A estes lares, sem terem sido alugados ou vendidos, elas acabavam de dizer adeus e, com o pouco que podia ser carregado em um, dois, e em alguns casos, três carroções, partiram em direção ao ermo, para onde? A única resposta a esta pergunta, naquele tempo, era: ‘Deus sabe.’”

Brigham Young presidia este grupo de peregrinos. Aceitaram-no como profeta, líder e inspirado sucessor de seu querido Joseph. Acreditavam que ele os conduziria a um local de refúgio “entre as Montanhas Rochosas”, onde Joseph havia predito que se tornariam “um povo poderoso”.
Plantio Para Outros Ceifeiros

Depois que os exilados chegaram a Iowa, pelo rio Mississipi, organizaram-se em grupos de cem e determinaram os padrões de conduta. Subdividiram-se em grupos de cinqüenta, que por sua vez eram divididos em grupos de dez, com oficiais que orientavam cada grupo. Brigham Young foi apoiado como “presidente de todo o Acampamento de Israel”.

Viajaram a noroeste, atravessaram o território de Iowa, por uma região pouco habitada entre os rios Missouri e Mississipi. Nos primeiros dias de percurso, a neve se acumulava no chão, numa altura de cerca de dois metros a dois metros e meio, oferecendo as cobertas de lona de seus carroções pouca proteção contra o frio e o cortante vento setentrional.

Com a chegada da primavera, a neve se derreteu, tornando a viagem ainda mais difícil. Não havia estradas na direção em que os santos viajavam e eles tinham de construir seu próprio caminho. As vezes a lama era tão profunda, que se necessitava de três juntas de bois para puxar uma carga de duzentos e cinqüenta quilos. Exaustos após um dia de puxar e empurrar, cortar madeira para pontes, carregar e descarregar carroções, os viajantes descobriram ter viajado apenas uns dez quilômetros. A lama e a chuva faziam de seus campos verdadeiros atoleiros. O fato de estarem expostos a tais condições, e mais a alimentação inadequada, ceifou uma grande quantidade de vidas.

Os enterros durante a viagem eram freqüentes. Um tosco ataúde feito de madeira, uma breve cerimônia fúnebre e os bem-amados do morto voltavam a face e os animais em direção ao oeste, compreendendo que jamais passariam novamente por aquele caminho. É admirável que esse povo não se tenha tornado amargurado e vingativo, especialmente quando se lembravam de suas casas confortáveis, agora assaltadas e queimadas pela turba de Illinois.

Mas aliviavam as dores com prazeres que eles mesmos encontravam. Tinham banda de música, e utilizavam-na bastante. Os colonizadores de Iowa admiravam-se de ver aqueles pioneiros limpar a terra ao redor de seu acampamento e então dançar e cantar ate que a corneta soasse o recolher.

Foi enquanto viajavam nessas circunstâncias que um deles, William Clayton, compôs um hino épico das planícies, “Vinde, ó Santos”. Adaptado de antiga cançoneta inglesa, tornou-se um hino de esperança e fé para os milhares de pioneiros mórmons. Talvez nada expresse melhor o espírito desse movimento.
A letra

(Letra: William Clayton; música: antiga melodia inglesa)

Vinde, ó santos, sem medo ou temor,
Mas alegres andai.
Rude é o caminho ao triste viajor,
Mas com fé, caminhai.
É bem melhor encorajar,
E o sofrimento amenizar.
Podeis agora, em paz cantar:
Tudo bem! Tudo bem!

For que dizeis: “É dura a provação”?
Tudo é bom, não temais.
Por que pensais em grande galardão,
Se a luta evitais.
Mas não deveis desanimar,
Se tendes Deus para vos amar;
Podeis agora, proclamar:
Tudo bem! Tudo bem!

Sem aflição, em paz e sem temor,
Encontramos um lar.
Hoje, libertos do pesar e dor,
Vamos todos cantar.
Partindo de nosso coração,
Bem alto e com resolução,
O nosso glorioso refrão:
Tudo bem! Tudo bem!

Chegando a morte, tudo irá bem,
Vamos paz, todos ter.
Livres das lutas, e dores também,
Com os justos, viver.
Mas, se a vida Deus nos poupar,
Bem alto poderemos cantar,
A uma só voz entoar:
Tudo bem! Tudo bem!

O movimento caracterizava-se por um espírito de cooperação mútua, sem o que a Jornada de vinte mil pessoas através do ermo teria, talvez, terminado em desastre.

(Extraído do livro A Verdade Restaurada, de Gordon B. Hinckley, presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias desde 1995.)

Hinário SUD

2 comentários:

  1. eu sempre choro com este hino justamente pensando na história dos pioneiros. Ele é um dos meus favoritos, junto com "oração de uma criança". Os dois hinos que mais me emocionam. Bjs

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  2. Eu também me emociono muito Simone..penso em quantos sacrifícios e sofrimentos. Que exemplo de amor marcante deixaram para nós.
    E às vezes, reclamamos de tão pouco...

    Beijinhos.

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