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terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Geladeira da Mamãe


Não me recordo de ter visto meu pai chorar no funeral da minha mãe ou em qualquer outra ocasião nos últimos dias dela. Ele parecia ter assumido o encargo de consolar a todos. Mas, certa noite, depois do enterro, vi meu pai chorar diante de nossa velha geladeira, ao ver tudo o que mamãe tinha colado nela.
A geladeira estava coberta de lembranças da vida de minha mãe.
Quando meus pais se casaram, compraram a geladeira de segunda mão. Minha mãe se propôs a pintá-la de uma estranha cor amarela que nunca vi em nenhuma outrageladeira. (Acabou pintando também o chão, alguns outros móveis e um vestido novo.) Mas só vimos a estranhacor amarela quando a geladeira quebrou e precisoude uma peça nova, e a mamãe tirou tudo que estava colado nela.
A cor estava escondida porque minha mãe a cobrira com todo tipo de coisas: uma história em quadrinhos interessante recortada do jornal, um ditado conhecido, a foto do meu pai, escrituras para decorar, a papeleta da lavanderia,a propaganda de um produto, uma carta a ser respondida, uma receita, a lista de compras, a lista de telefones da ala e até nossos boletins.
À medida que fomos crescendo, ela foi acrescentando listas de tarefas da semana, compromissos e mensagens para a família. Não tínhamos um quadro-negro nem um quadro de avisos, por isso nossos pais também grudavam gravuras do evangelho na geladeira.
Em fevereiro, o mês dos namorados, minha mãe colava na geladeira um grande coração com o nome de cada um escrito nele; em março, a foto de seu casamento e uma lista de coisas que ela gostaria de ganhar no seu aniversário.
Junho era dedicado ao meu pai, porque era o mês do aniversário dele — ela fazia o mesmo para cada um de nós,no respectivo mês em que tínhamos nascido. Em setembro, era uma bandeira do México. Em novembro, o mês em que meus pais se lembravam dos antepassados,mamãe colava retratos de entes queridos, criando a oportunidade de falar deles. Em dezembro, ela exibia um pequeno presépio feito de pano.
Sempre que um de nós saía em missão, mamãe colava a fotografia do missionário na geladeira, e não a tirava daliaté que ele voltasse.
Quando o único irmão de minha mãe morreu, ela colou na geladeira uma fotografia que tiraram juntos, e nunca mais a tirou dali. Ela nunca disse nada, mas quando a víamos contemplar tão intensamente a fotografia,
sabíamos o quanto seu irmão significava para ela.
Juntas, a geladeira e minha mãe uniram a família.
Hoje, em minha própria casa, há uma geladeira que,embora seja nova e não tenha uma estranha cor amarela,
está aprendendo seu dever de unir e ensinar a família. A velha foto do casamento de meus pais, outra de minha tia e as obras de arte sem forma definida de meus filhinhos estão coladas nela.
E quando vejo essas coisas, penso na minha mãe e agradeço a ela por ter-me ensinado a compreender como uma geladeira pode nutrir de muitas outras maneiras além de manter a comida refrigerada.
EMMA E. SÁNCHEZ SÁNCHEZ
Fonte: A Liahona Fev2007

2 comentários:

  1. Olá irmã

    gostei muito dessa história, ela realemente me ajudou essa semana, muito obrigada por esse blog maravilhoso e inspirador. Sou da ala Vila Andrade/SP.

    Beijos e Parabéns!!!

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  2. Oi querida! Obrigada pelo carinho.
    Também amei essa história e desejei compartilhar! Acredito muito em tradições familiares que nos fazem estar sempre pertinho um do outro...o amor familiar, as lembranças...o que construímos no coração e na vida das pessoas que amamos não tem preço...e o céu é o limite! Vamos começar nossa geladeira?!
    Beijão Grandão!
    Sou da ala Botafogo/RJ
    Quem sabe um dia a gente se vê?!

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