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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Oh! Sede Sábios!


Élder M. Russell Ballard
Do Quórum dos Doze Apóstolos
(A Liahona Out2006)

"Concentremo-nos nas maneiras simples de servir no Reino de Deus, sempre nos esforçando para mudar vidas, inclusive a nossa."

Irmãos e irmãs, ao estudar o Livro de Mórmon recentemente, um dos ensinamentos do profeta Jacó chamou-me a atenção.
Como devem lembrar-se, Jacó foi um dos dois filhos do patriarca Leí que nasceram no deserto, depois que a família partiu de Jerusalém. Ele foi testemunha ocular de milagres e também viu sua família ser dividida pela desobediência e rebelião. Jacó conhecia e amava Lamã e Lemuel tanto quanto conhecia e amava Néfi, e a desavença entre eles foi muito íntima e pessoal. Para Jacó, não se tratava de ideologia, filosofia ou mesmo teologia. Era uma questão de família.

A dolorosa angústia que Jacó sentia na alma ficou evidente quando ele expressou sua profunda preocupação de que seu povo viesse a “[rejeitar] as palavras dos profetas” a respeito de Cristo e “[negar] (…) o poder de Deus e o dom do Espírito Santo (…) e [desdenhar] o grande plano de redenção” (Jacó 6:8).

Então, pouco antes de se despedir, ele proferiu sete palavras que são o tema básico de minha mensagem de hoje. A súplica de Jacó foi: “Oh! Sede sábios! Que mais poderei dizer?” (Jacó 6:12).

Vocês, que são pais e avós, têm uma noção do que Jacó devia estar sentindo naquele momento. Ele amava seu povo, em parte porque também era a sua família. Ele os ensinara com a máxima clareza e com toda a energia de sua alma. Advertira-os com clareza sobre o que aconteceria se decidissem não “entrar pela porta estreita e continuar pelo caminho apertado” (ver Jacó 6:11). Não conseguiu pensar em mais nada que poderia dizer para admoestar, incentivar, inspirar e motivar. Portanto, disse simplesmente, com grande veemência: “Oh! Sede sábios! Que mais poderei dizer?”

Conheci membros da Igreja de muitos países do mundo. Fiquei impressionado com o espírito e a energia de muitos de nossos membros. Corações estão sendo tocados e vidas estão sendo abençoadas.
O trabalho está progredindo com dinamismo e sinto-me profundamente grato por isso.
Mas vejo muitas coisas nas quais nós, os membros da Igreja, devemos ser muito, muito sábios.

O Senhor, em Sua infinita sabedoria, determinou que Sua Igreja funcionasse com um ministério leigo.
Isso significa que temos o encargo de zelar uns pelos outros e servir uns aos outros.
Devemos amar uns aos outros como o Pai Celestial e o Senhor Jesus Cristo nos amam. Nossos chamados e condições mudam de tempos em tempos, proporcionando-nos oportunidades diferentes e ímpares de servir e crescer. A maioria dos líderes e professores da Igreja estão zelosamente engajados no cumprimento de suas responsabilidades. Alguns são menos eficazes que outros, é verdade; mas quase sempre há um sincero esforço para servir de modo significativo no evangelho.

De vez em quando, encontramos alguns que se dedicam com tanta energia ao serviço na Igreja que chegam a ficar com a vida desequilibrada.
Começam a acreditar que os programas que administram são mais importantes do que as pessoas a quem servem.
Complicam seus serviços com detalhes e embelezamentos que ocupam muito tempo, custam muito caro e demandam muita energia.
Recusam-se a delegar ou a permitir que outras pessoas cresçam em suas respectivas responsabilidades.

Por concentrarem muito tempo e energia em seu serviço na Igreja, seu relacionamento familiar eterno pode deteriorar-se. O desempenho no emprego fica prejudicado. Isso não é saudável, nem espiritualmente nem em outros aspectos.
Embora haja ocasiões em que nossos chamados na Igreja exijam esforço mais intenso e concentração incomum, temos que nos esforçar para manter o devido equilíbrio das coisas. Jamais devemos permitir que nosso serviço substitua a atenção necessária a outras prioridades importantes de nossa vida.
Lembrem-se do conselho do rei Benjamim: “E vede que todas estas coisas sejam feitas com sabedoria e ordem; porque não se exige que o homem corra mais rapidamente do que suas forças o permitam” (Mosias 4:27).

Gostaria de sugerir seis maneiras pelas quais podemos servir bem e com sabedoria.

Primeira, concentrar-se nas pessoas e nos princípios, e não nos programas.
Uma das coisas mais importantes que fazemos por meio do evangelho de Jesus Cristo é edificar as pessoas.
O serviço adequado ao próximo exige esforço para compreendermos as pessoas como indivíduos — sua personalidade, seus pontos fortes, suas preocupações, esperanças e seus sonhos — de modo a oferecer a ajuda e o amparo corretos.
Falando com franqueza, é muito mais fácil simplesmente administrar os programas do que compreender e servir verdadeiramente às pessoas.
O propósito fundamental das reuniões de liderança da Igreja deve ser discutir a maneira de ministrar às pessoas.
A maioria das informações e tarefas de coordenação rotineiras pode ser tratada hoje por telefone, e-mails ou correspondência regular, de modo que a agenda das reuniões de conselho e reuniões de presidência se concentre nas necessidades das pessoas.

Nossa meta sempre deve ser usar os programas da Igreja como meio de elevar, incentivar, auxiliar, ensinar, amar e aperfeiçoar as pessoas. “Lembrai-vos de que o valor das almas é grande à vista de Deus” (D&C 18:10).
Os programas são ferramentas.
A sua administração e o preenchimento dos cargos a eles relacionados não podem ter prioridade sobre as necessidades das pessoas a quem eles deveriam abençoar e servir.

Segunda, ser inovador.
Ao nos esforçarmos para magnificar nossos chamados, devemos buscar a inspiração do Espírito para resolver os problemas da maneira que mais ajudará as pessoas a quem servimos.
Temos manuais de instruções, e suas diretrizes devem ser seguidas; mas, dentro desses parâmetros, existem oportunidades substanciais para pensar, ser criativo e usar os talentos individuais.
A instrução que recebemos de magnificar nosso chamado não é um mandamento para embelezá-lo e complicá-lo. Inovar não significa necessariamente expandir. Muito freqüentemente significa simplificar.
Como o princípio eterno do arbítrio nos dá a liberdade de escolher e pensar por nós mesmos, devemos tornar-nos cada vez mais capazes de resolver problemas.
Talvez cometamos erros ocasionalmente, mas enquanto estivermos seguindo os princípios do evangelho e as diretrizes, poderemos aprender com esses erros e tornar-nos mais compreensivos para com os outros e mais eficazes ao servir às pessoas.
Ser inovador também significa que não é preciso que nos digam tudo o que devemos fazer.
O Senhor disse: “(…) não é conveniente que em todas as coisas eu mande; pois o que é compelido em todas as coisas é servo indolente e não sábio” (D&C 58:26).
Irmãos e irmãs, confiamos que vocês usarão a inspiração.
Confiamos que o farão dentro dos parâmetros estabelecidos pelas normas e princípios da Igreja. Confiamos que serão sábios e se aconselharão mutuamente para ajudar a edificar a fé e o testemunho na vida daqueles a quem servem.

Terceira, dividir o trabalho e delegar as responsabilidades.
Há uma diferença entre ser responsável pelo trabalho a ser feito e fazer o trabalho você mesmo. Por exemplo: Já se foram os dias em que o presidente do quórum de élderes achava que precisava fazer pessoalmente as visitas de ensino familiar que os outros deixavam de fazer.
O mesmo se aplica à presidente da Sociedade de Socorro, no tocante às professoras visitantes. Isso não somente é insensato, mas também não tem nada a ver com o ensino familiar e o trabalho das professoras visitantes.
O ensino familiar não são números ou relatórios de visitas a famílias; as visitas e os números são apenas uma forma de quantificar o trabalho.
O ensino familiar refere-se a amar as pessoas e servir e cuidar dos filhos de nosso Pai Celestial.

Devem ser feitas designações, devem ser delegadas responsabilidades, deve-se permitir que os membros cumpram suas mordomias da melhor forma possível.
Aconselhem, alertem, convençam e motivem, mas não façam o trabalho por eles.
Permitam que as pessoas progridam e cresçam, mesmo que isso às vezes signifique resultados menos do que perfeitos nos relatórios.

Quarta, eliminar a culpa.
Nem é preciso dizer que a culpa não é uma técnica adequada de motivação para os líderes e professores do evangelho de Jesus Cristo.
Sempre devemos motivar por meio do amor e da valorização sincera, e não criando um sentimento de culpa. Gosto do conceito de “pegar alguém fazendo algo certo”.
Ainda assim, há pessoas que têm algum sentimento de culpa em conseqüência de seu serviço na Igreja. Esse sentimento pode ocorrer quando nosso tempo e atenção estão divididos entre prioridades e exigências que competem entre si.
Como mortais, simplesmente não conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo. Portanto, precisamos fazer todas as coisas “com sabedoria e ordem” (Mosias 4:27).
Muitas vezes isso significa adiar temporariamente a atenção dedicada a determinada prioridade para cuidar de outra.
Às vezes, as necessidades da família exigirão sua total atenção.
Outras vezes, as responsabilidades profissionais virão em primeiro lugar.
E haverá ocasiões em que os chamados da Igreja virão em primeiro lugar.
Alcançamos um bom equilíbrio quando fazemos as coisas no momento oportuno, sem procrastinar nossa preparação nem esperar para cumprir as responsabilidades no último minuto.
Além disso, precisamos lembrar que Cristo veio para remover a culpa e perdoar àqueles que se arrependem (ver Alma 24:10). Veio para trazer paz à alma perturbada. Ele disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27).
Por meio da milagrosa Expiação, Ele nos pede: “Tomai sobre vós o meu jugo, (…) e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mateus 11:29).

À medida que a Expiação começar a agir em nossa vida, passaremos a compreender que o Salvador já tomou sobre Si o fardo de nossa culpa. Que sejamos sábios o suficiente para compreender isso, arrepender-nos, quando necessário, e deixar de lado a nossa culpa!

Quinta, precisamos dividir sensatamente nossos recursos de tempo, renda, energia e atenção. Vou contar-lhes um segredinho. Alguns de vocês já aprenderam isso. Se ainda não, é hora de saberem. Não importa quais sejam as necessidades de sua família ou suas responsabilidades na Igreja, não existe um momento em que podemos dizer “minha tarefa está concluída”.
Sempre podemos fazer algo mais.
Sempre há outro assunto familiar que necessita de atenção, outra lição a preparar, outra entrevista a realizar, outra reunião a assistir.
Temos mesmo é que ser sábios, preservar nossa saúde e seguir o conselho que o Presidente Hinckley nos dá com freqüência: simplesmente “fazer o melhor possível”.

O segredo, a meu ver, está em conhecer e compreender nossas próprias capacidades e limitações, e depois criar nosso próprio ritmo, dividindo nosso tempo, nossa atenção e nossos recursos sabiamente para ajudar as pessoas, inclusive a nossa família, em sua jornada rumo à vida eterna.

Sexta, uma palavra para vocês, líderes, sobre delegar responsabilidades aos membros, especialmente aos recém-conversos.
O Presidente Hinckley disse que todo membro novo da Igreja precisa de uma responsabilidade. Seja qual for a responsabilidade delegada, ela não deve sobrecarregar os membros novos, mas dar-lhes amplas oportunidades para que se sintam bem na Igreja, aprendam a doutrina e trabalhem cordialmente em conjunto com membros cordiais. Ela deve ancorá-los no evangelho restaurado, por meio do fortalecimento de seu testemunho e do serviço significativo que prestarem.
Irmãos e irmãs, concentremo-nos nas maneiras simples de servir no reino de Deus, sempre nos esforçando para mudar vidas, inclusive a nossa.
A coisa mais importante em nossas responsabilidades na Igreja não são as estatísticas dos relatórios nem as reuniões realizadas, mas, sim, que as pessoas, individualmente — de quem cuidamos uma a uma como o Salvador fazia — sejam elevadas e incentivadas e, por fim, transformadas.
Nossa tarefa é ajudar as pessoas a encontrar a paz e a alegria que somente o evangelho pode proporcionar-lhes. Em sete palavras, Jesus resumiu como podemos fazer isso. Ele disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (João 14:15).

Em muitos aspectos, os dias de hoje se assemelham aos dias de Jacó. Meu conselho é semelhante ao dele: “Suplico (…) que vos arrependais e que vos apegueis a Deus de todo o coração, como ele se apega a vós” (Jacó 6:5).

Irmãos e irmãs, sejam sábios com suas famílias.
Sejam sábios no cumprimento de seus chamados na Igreja.
Sejam sábios com seu tempo.
Sejam sábios ao darem prioridades equilibradas a suas responsabilidades.
Oh! Sede sábios, meus amados irmãos e irmãs! O que mais eu poderia dizer?

Que Deus nos abençoe com sabedoria para que amemos Seu filho Jesus Cristo e sabiamente ajudemos a realizar Sua obra. Presto o meu testemunho de que Ele vive. Esta é a Sua Igreja. Estamos realizando a Sua obra. Que a paz do Senhor nos acompanhe e que sejamos sábios no cumprimento de nossas responsabilidades, é minha humilde oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.

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