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domingo, 25 de julho de 2010

Conversa Com Meu Pai

 Obra de Jean Monti
Tínhamos acabado de jantar na cabana dos meus avós, e eu estava fora, brincando com meus cinco irmãozinhos, quando meu pai saiu e me chamou.
É claro que, quando seu pai a chama assim, você fica com medo de que possa estar em apuros. Assim, resmunguei, enquanto caminhava vagarosamente em direção a ele: “O que é, pai?”
Para minha surpresa, ele disse: “Quer dar uma volta de motocicleta comigo?” Estou certa de que meus olhos devem ter-se arregalado, quando respondi rapidamente: “Sim, claro que quero”!
Logo, cada um estava sobre uma moto, e meu pai indicava o caminho pelas estradas que serpenteiam em meio à magnífica floresta que circunda nossa cabana e continua até o alto de um monte. Enquanto dirigíamos,
eu estava tão animada que mal podia manter a motocicleta em baixa velocidade.
Uma ou duas vezes meu pai teve de dizer-me que diminuísse a velocidade.
À medida que prosseguíamos, minha mente divagava. Estava curiosa quanto à razão de estar recebendo essa oportunidade especial, e meus irmãos não. Quando chegamos ao topo da montanha, meu pai disse: “Aqui parece um bom lugar para parar e descansar”. Assim, descemos das motocicletas e nos sentamos em uma pedra, admirando a floresta. Ficamos em silêncio por um momento, apreciando a beleza que nos rodeava. Olhei para meu pai e notei seu olhar distante; eu soube que isso havia sido planejado e que ele queria me dizer algo.
Na verdade, nunca havíamos conversado muito. Acho que para ele era muito difícil abrir-se com outra pessoa que não fosse minha mãe. Então, ele interrompeu meus pensamentos e disse: “Kjersten, sua mãe e eu estivemos conversando e decidimos que você está bastante amadurecida para saber alguns detalhes a respeito de nosso casamento e nossa família”. Eu podia notar, pelas palavras que usou e pelo modo como as
expressou, que estivera planejando esse discurso durante algum tempo.
Sua voz era suave ao iniciar. “Sua mãe e eu nos conhecemos no posto do corpo de bombeiros onde eu estudava para ser bombeiro, enquanto ela trabalhava no escritório.
Começamos a sair juntos e percebi que ela era diferente das outras garotas com quem eu tinha saído antes. Eu era um rapaz despreocupado, que tinha sido criado em outra igreja, mas que nunca realmente prestara muita atenção à religião.
Naquela época, eu tinha poucos valores ou objetivos e, na realidade, pouco me importava”. Ele se inclinou para frente e confidenciou-me: “Kjersten, sua mãe era o mais brilhante exemplo de retidão que eu já vira”. Ao ouvi-lo dizer isso, um sentimento cálido me invadiu.
Papai contou-me detalhes a respeito de seu casamento, do meu nascimento e de nossa família que eu nunca ouvira antes.
Contou-me a história de sua conversão à Igreja e como, por teremse casado primeiramente no civil, tiveram de esperar um ano para serem selados no templo.
Também me contou algumas aventuras que ele e a mamãe tiveram de enfrentar durante aquele primeiro ano de casados. Pela primeira vez, as peças de um pequeno quebra-cabeça se encaixaram. Compreendi finalmente por que a data do casamento e a do selamento deles era diferente, e por que diziam que o primeiro ano de casados foi o mais difícil que tiveram.
Enquanto ele me relatava essas coisas, seus olhos às
vezes embaçavam de tristeza e, outras vezes, os cantos enrugavam-se, como se ele estivesse alegre. Não me
lembro exatamente do quanto entendi na ocasião, mas recordo distintamente os sentimentos de surpresa, confusão e amor que me invadiam alternadamente.
Essa experiência realmente me causou um grande impacto. Compreendi o milagre que é a família, e isto me deu uma compreensão maior do plano de Deus. Adquiri também maior fé no evangelho e maior apreço pelos efeitos que ele pode ter na vida das pessoas.
Conversamos sobre muitas coisas naquela montanha, mas há uma que eu nunca esquecerei: nunca senti o coração ficar tão cheio de gratidão quanto no momento em que meu pai falou a respeito de seu intenso amor a Deus e ao evangelho, a minha mãe e a nossa família. Percebi que o evangelho havia tocado a vida dele de inúmeras formas, e também a minha.
Naquele dia, meu pai e eu ficamos muito próximos. Pela primeira vez eu o vi como uma pessoa de verdade, com sentimentos e emoções, e não apenas como ‘o ditador de regras’, de quem tínhamos de obter permissão para nos divertirmos. Acho também que meu pai passou a me conhecer um pouco melhor.
Nunca vou me esquecer daquela conversa especial que tivemos e dos sentimentos de amor e compreensão que compartilhamos.
Kjersten Johnson

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